Em direção ao metaverso: projetar um mundo virtual

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Tendo em conta que uma das maiores empresas tecnológicas do mundo mudou recentemente o seu nome para Meta, é evidente que a próxima grande tendência tecnológica será o metaverso. Todos os dias surgem novas histórias e especulações sobre como o metaverso poderá funcionar, mas uma coisa é clara – o metaverso está aqui para ficar. O que é que isso significa para o design?

O único limite é a imaginação

De uma perspetiva de design, o metaverso apresenta um mundo de possibilidades infinitas. "Simplesmente, já não estamos vinculados às leis da física", afirma Nuno Fernandes, Design Director da EMEA na Tétris. Isto significa que os locais de trabalho no metaverso só serão limitados pela imaginação dos designers. "Podemos expandir os limites no metaverso e desenhar espaços que nos permitem viajar livremente, sem nos sentarmos à mesa, ou ter uma reunião num contexto mais tradicional."

O metaverso dá uma liberdade que simplesmente não se tem na vida real; por exemplo, não é necessário cumprir as normas de construção, coisa que entusiasma os designers. O seu escritório pode ter uma lareira no telhado, as casas de banho, e até mesmo os corredores, podem ser totalmente removidos – os avatares podem ser capazes de se deslocar de um lugar para outro sem ter a necessidade de andar.

Nuno Fernandes, Design Director EMEA at Tétris (Avatar created by Voicehumans)

Isto inclui outros espaços e não é exclusivo dos locais de trabalho. Mas como é que se projeta e constrói estes espaços? "Um arquiteto irá desenhar um modelo e, em seguida, este será entregue a um designer de jogos para que o construa no mundo virtual. Não é tão rebuscado quanto parece: a distância entre o digital e o virtual é menor do que muitos imaginam,", afirma Jonathan Hillery, Head of Technical Design da Tétris South Africa.

Branding e comércio no metaverso

Javier Furones, CEO of Voicehumans

Javier Furones, CEO da Voicehumans, uma empresa que cria IA em contexto laboral com humanos digitais para fins de experiência do utilizador e estratégias de Metaverse, refere que as empresas estão a concentrar-se numa nova forma de compreender a experiência do consumidor e a sua relação com as marcas. "O metaverso é uma extensão da realidade. Não é apenas realidade virtual; é também o mundo digital transportado para o físico", afirma Furones.

O branding já existe no metaverso e é semelhante à vida real, mas isto é apenas o início, já que as possibilidades no metaverso são infinitas. «A evolução natural da imagem de marca no metaverso consistirá em anúncios e painéis publicitários em 3D, capazes de alcançar os avatares e interagir com os mesmos", afirma Hillery.

Um setor que pode beneficiar muito com o metaverso é o setor de retalho, uma vez que a maioria das pessoas está habituada a fazer compras online e, por isso, o conceito de fazer compras no metaverso não é demasiado radical. No caso dos comerciantes sem lojas físicas, como é o caso da Etsy e da Boohoo, esta situação poderia desencadear um aumento exponencial das vendas, uma vez que os avatares dos consumidores poderão "experimentar antes de comprar". "Qualquer pessoa já se sente confortável com o processo das compras online, por isso, o metaverso poderia ir mais além e melhorar a sua experiência", explica Fernandes.

O setor retalho está entre os primeiros setores a adotar o metaverso. "Os primeiros a adotar o metaverso foram, sem dúvida, marcas de luxo como a Balenciaga, com os seus lançamentos de coleções de moda NFT, e marcas de moda como a Zara, com o seu gémeo retalhista no Zepeto, ou a Adidas e a sua coleção NFT," afirma Furones. Acrescenta ainda que, atualmente, negócios como bancos, seguradoras e verticais de negócios querem expandir os seus serviços para cativar os consumidores mais jovens que, por sua vez, parecem ser os mais inacessíveis através dos meios físicos e tradicionais.

A propósito de fazer compras no metaverso, existe um grande número de pessoas portadoras de perturbações neurológicas ou deficiências que não são capazes de fazer as suas compras presencialmente, razão pela qual o metaverso seria muito mais inclusivo, na medida em que as pessoas poderiam experimentar roupas, por exemplo, sem ter de se sujeitar ao stress e às dificuldades inerentes à deslocação até às lojas. "Fazer compras no metaverso pode tornar tudo mais acessível. Ao invés de encomendar e torcer para que tudo corra pelo melhor, os consumidores poderão 'entrar' numa loja e ter uma ideia de como algo irá servir e parecer," acrescenta Fernandes.

Implicações para o local de trabalho

A comunicação é outra vertente do metaverso que vai beneficiar as pessoas. Muito embora a pandemia da Covid esteja em processo de desaceleração, existem ainda muitas pessoas que se sentem apreensivas em relação às deslocações para o escritório e à possibilidade de se exporem à doença. "Atualmente, utilizamos as videochamadas para estabelecer contacto por todo o mundo e só conseguimos ver os rostos uns dos outros; contudo, o metaverso poderia reunir-nos a todos como avatares e, considerando que 70% da nossa comunicação é feita através da linguagem corporal, tal poderia ser amplamente benéfico em termos de compreensão e de nos conhecermos mutuamente melhor", acrescenta Hillery.

Neste momento, estão a ser desenvolvidos sensores de movimento e câmaras que utilizam IA para captar as particularidades e expressões de cada um, mas estes projetos ainda estão a ser desenvolvidos e é pouco provável que venham a surgir durante os primeiros dias do metaverso.

Jonathan Hillery, Head of Technical Design at Tétris South Africa (Avatar created by Voicehumans)

A imersão é também um benefício fundamental, sobretudo em termos de saúde e bem-estar dos colaboradores. Hoje em dia, existem em muitos escritórios espaços ou cápsulas de meditação, pelo que o metaverso poderia permitir uma sessão de meditação genuinamente imersiva e orientada, permitindo aos colaboradores recarregar as suas energias. "Também é importante pensar em redesenhar o mundo físico para acomodar o metaverso", afirma Fernandes. "As cápsulas e espaços insonorizados contribuirão para criar uma experiência imersiva."

Mas ainda há algumas áreas a resolver

Não obstante os potenciais benefícios do metaverso, subsistem certas preocupações. Por exemplo, as pessoas controlam a criação do seu próprio avatar, que não tem de corresponder necessariamente à sua aparência na realidade. Este processo pode exigir alguns reajustes e será necessária uma forma de garantir que as pessoas são quem dizem ser, a fim de evitar violações de segurança ou privacidade.

Furones adota uma postura mais positiva: "Um avatar é um potenciador do que queremos que se veja de nós mesmos. Os avatares são os novos logótipos das marcas, bem como a nova forma de personalidade dos humanos."

Outra preocupação é o isolamento. Durante a pandemia, assistimos ao efeito que o isolamento e a solidão tiveram na saúde e no bem-estar das pessoas – estudos sugerem que a solidão crónica pode ser tão prejudicial como o consumo de 15 cigarros por dia. Se o metaverso se tornar algo normal e o utilizarmos cada vez mais na nossa vida quotidiana, teremos de ter plena consciência sobre o equilíbrio entre o mundo real e o virtual.

E quanto à inclusão? As gerações mais velhas correm o risco de se sentirem excluídas desta nova forma de interação. "Essencialmente, o metaverso é um meio para chegar à Geração Z. No entanto, acredito que cada geração acabará por ser incluída assim que compreender as mudanças para a economia 2.0 e a forma interativa e fascinante de se relacionar com as marcas a um nível social no metaverso," acrescenta Furones.

O futuro está aqui

Embora o metaverso esteja em fase embrionária, é evidente que se tornará parte da nossa vida com o passar do tempo. Existe um forte desenvolvimento e investimento no metaverso, o que abre um mundo de possibilidades. Mas, por enquanto, nada pode substituir a interação real, a qual implica espaços concebidos para incentivar as ligações presenciais.

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